Papo reto, nada careta e de jovem para jovem. É dessa forma que os riscos do tabagismo são abordados por um grupo de jovens e adolescentes comunicadores periféricos do Rio de Janeiro. Neste 31 de maio, Dia Mundial Sem Tabaco, esse grupo de mobilizadores, que compõem a Rede Não Bata, Eduque (RNBE), reforça as mensagens de uma campanha pensada para conter o avanço do consumo de cigarros eletrônicos entre adolescentes.
A campanha “Não é só Fumaça – Videocast Juventude & Tabagismo” é fruto de parceria entre o CECIP e a ACT Promoção da Saúde. Aproveitando-se da capilaridade da comunicação da Rede, com membros em todo o Brasil, o objetivo é disseminar conteúdos audiovisuais que informem e promovam reflexão crítica e diálogo sobre os impactos desse hábito nada saudável, especialmente o uso dos vapes.
A iniciativa, viabilizada por meio do edital InovACT, tem como diferencial a abordagem baseada na autonomia, no autocuidado e na comunicação entre pares, afastando discursos moralizantes e aproximando os jovens do debate sobre saúde e direitos. Por meio de videocasts, cards digitais e rodas de conversa, adolescentes e jovens da Rede Não Bata, Eduque discutem os riscos associados ao uso de nicotina e os mecanismos de sedução utilizados pela indústria do tabaco para atrair novas gerações.
Pérola Magalhães, 18 anos, faz parte da turma de comunicadores do projeto. Para ela, o tom de liberdade e não proibicionismo da campanha, chamando para a reflexão, estreita o caminho entre as mensagens e o público. “Quando a gente fala que a decisão é deles, mas que é muito bom também não sentir falta de ar, poder respirar livre, a gente consegue uma escuta mais verdadeira. Nosso público são nossos colegas, mesma faixa etária, mesma geração. Conseguimos mostrar para eles onde o incentivo ao tabagismo nos atravessa e conversamos abertamente sobre benefícios de uma vida sem tabagismo e os prejuízos de quem opta por ser fumante”, afirma.
Evidências científicas demonstram que os vapes causam dependência química e contêm aldeídos tóxicos, metais pesados e partículas ultrafinas capazes de causar danos aos sistemas respiratório, cardiovascular e neurológico. Juliana Waetge, especialista em Comunicação e Políticas Públicas da ACT, destaca que desde 2009 a comercialização desses dispositivos é proibida no Brasil, e em 2024 a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) decidiu, de forma unânime e após consulta pública, manter a proibição.
Para 2026, a Organização Mundial da Saúde (OMS) definiu o tema de mobilização internacional “Desmascarando o apelo – combatendo a dependência de nicotina e tabaco”, um alerta para as estratégias da indústria do tabaco voltadas ao público jovem. Segundo a OMS, sabores artificiais, embalagens atrativas e campanhas de marketing digital têm sido utilizados para que produtos altamente nocivos pareçam mais “aceitáveis” para adolescentes.
Os números reforçam a gravidade do cenário. Dados divulgados pela OMS apontam que pelo menos 40 milhões de adolescentes entre 13 e 15 anos, globalmente, relatam o uso de pelo menos um produto de tabaco. Destes, 20 milhões fumam cigarros, 10 milhões usam tabaco sem fumaça (oral/nasal) e pelo menos 15 milhões utilizam cigarros eletrônicos. Nos países com dados disponíveis, crianças e adolescentes são, em média, nove vezes mais propensas a usar vapes do que os adultos.
O núcleo de adolescentes e jovens mobilizadores da Rede Não Bata, Eduque assumiu o desafio de transformar informação científica em linguagem acessível para sua geração. As peças de comunicação produzidas pelo grupo abordam os impactos do tabagismo na juventude, os riscos da dependência química e a influência da indústria e da publicidade no consumo de dispositivos eletrônicos.
Entre os conteúdos produzidos está o videocast “Tabagismo e Juventude”, da série “De Jovem pra Jovem”, realizado em 2025. O programa reúne relatos, reflexões e debates conduzidos pelos jovens mobilizadores, que compartilham suas percepções sobre o tema e convidam outros adolescentes para uma conversa franca sobre saúde e pressão social.
Outra ação importante aconteceu na Rocinha, zona sul do Rio, durante oficina promovida em fevereiro de 2026 pelo núcleo da Rede em parceria com o projeto Jovens Repórteres da Rocinha, formado por estudantes do CIEP Ayrton Senna. A atividade buscou estimular o engajamento comunitário e resultou em um novo videocast, no qual os participantes discutem os desafios e perspectivas do tabagismo na juventude a partir de suas próprias vivências e realidades territoriais.
Além dos jovens comunicadores, especialistas também participaram das produções audiovisuais do projeto. O videocast “Conversa entre Gerações: Papo com Especialistas”, lançado em fevereiro, ouviu profissionais da saúde e pesquisadores para aprofundar o debate sobre os efeitos da nicotina no desenvolvimento físico e emocional de adolescentes.
Ao investir na educomunicação e na escuta ativa da juventude, o projeto “Não é só Fumaça – Videocast Juventude & Tabagismo” busca fortalecer redes de proteção, ampliar o acesso à informação qualificada e incentivar escolhas conscientes. A iniciativa reafirma o papel da juventude como agente de transformação social e demonstra como a comunicação produzida por jovens pode contribuir para a promoção da saúde e a prevenção ao tabagismo.
Jovens Mobs vão à TV para comunicar os riscos do tabagismo
A mobilização em torno da campanha “Não é só Fumaça – Videocast Juventude & Tabagismo” conquistou espaço na televisão. Acompanhados pela coordenadora do projeto, Tatiana Martins, os jovens mobilizadores Pérola Magalhães e Daniel Nascimento, participaram de entrevistas na TVT e na TV Globo, no programa Globo Comunidade, para falar sobre o Dia Mundial Sem Tabaco, celebrado em 31 de maio, e apresentar as ações desenvolvidas pela Rede Não Bata, Eduque em parceria com o CECIP e a ACT Promoção da Saúde.
Nas entrevistas, os jovens destacam a importância de abordar o tema do tabagismo em uma linguagem próxima da realidade de adolescentes e jovens, promovendo informação qualificada sem julgamentos ou discursos proibicionistas. Eles também compartilham a experiência de produzir videocasts, cards e outros conteúdos de comunicação voltados a conscientizar sua geração sobre os riscos associados ao uso de cigarros eletrônicos e demais produtos derivados do tabaco.
A participação nos programas amplia o alcance da campanha e reforça o papel da juventude como protagonista na promoção da saúde. Ao ocuparem espaços de comunicação de grande audiência, os jovens mobilizadores levam para o debate público a perspectiva de quem vivencia diretamente os desafios enfrentados por sua geração diante das estratégias de marketing da indústria da nicotina e da crescente popularização dos vapes.





















































