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Campanha contra propaganda de refrigerantes no Brasil x Japão

Foi no movimentado calçadão de Copacabana que a campanha “Tirem o Refrigerante de Campo!” ganhou corpo, voz e gingado. Às vésperas do jogo do Brasil contra o Japão,  um grupo formado por 20 jovens mobilizadores abriu espaço para um assunto que merece atenção: a relação entre a indústria de refrigerantes e o esporte. Com cartazes, faixas e disposição para o diálogo, mobilizadores da Rede Não Bata, Eduque (RNBE) e do projeto Jovens Repórteres da Rocinha, acompanhados por integrantes do CECIP e da ACT Promoção da Saúde, realizaram uma intervenção em frente à Arena Copa, chamando a atenção de quem passava pela orla. O objetivo era convidar o público a refletir sobre a presença das grandes fabricantes de bebidas açucaradas entre os patrocinadores do maior espetáculo do futebol mundial.

Ao longo da manhã, moradores e turistas de diferentes cidades e países pararam para conversar com os jovens, fotografar a manifestação e conhecer os argumentos da campanha. Por trás do ato está o questionamento de uma contradição evidente: enquanto o futebol inspira hábitos saudáveis e qualidade de vida, grandes empresas de refrigerantes utilizam esse universo para promover produtos muito prejudiciais à saúde pública, associados ao aumento dos casos de obesidade e diabetes, risco de câncer, problemas cardíacos e outras doenças crônicas.

“Queremos mostrar que o futebol pertence às pessoas e representa valores positivos. Não faz sentido que um evento que inspira milhões de crianças e jovens seja usado para fortalecer marcas de produtos que fazem mal à saúde. Nossa campanha não aponta o dedo para quem consome refrigerante. Ela convida a sociedade a refletir sobre o peso desse marketing e sobre quem realmente ganha com essa associação”, afirmou Tatiana Martins, educomunicadora que coordena a formação dos jovens mobilizadores por uma vida sem violências, com apoio também do Instituto Phi.

Durante a atividade, os jovens distribuíram materiais informativos, dançaram entoando versos contra o patrocínio das gigantes de refri à Copa do Mundo,  conversaram com torcedores sobre os impactos das bebidas açucaradas na saúde e também sobre os impactos ambientais dessa indústria, uma das maiores produtoras de resíduos plásticos do planeta, além de emissora de poluentes e consumidora de grande volume de água.

Entre as pessoas que se aproximaram do grupo estava a auxiliar administrativa Patrícia Oliveira, moradora da zona norte do Rio de Janeiro. “Sou mãe de um menino que tem obesidade e adora refrigerante. A gente luta todos os dias para diminuir esse consumo. Além disso, tenho pessoas muito próximas na família que convivem com diabetes. Quando vi essa campanha aqui na praia, achei importante porque o refrigerante já entrou muito na minha casa. Hoje em dia não entra mais. Por isso, eu apoio essa movimentação: tirem o refrigerante de campo, tirem da casa de vocês, da geladeira, da vida”, defendeu.

Para Viviane Tavares, especialista da ACT Promoção da Saúde, iniciativas como essa ajudam a amplificar um debate urgente. “O esporte é uma poderosa ferramenta de transformação social. Quando produtos associados ao aumento das doenças crônicas ocupam esse espaço de forma tão intensa, é fundamental promover o diálogo com a população. Nossa proposta não é responsabilizar consumidores, mas discutir estratégias de marketing que influenciam escolhas desde a infância e defender políticas públicas que favoreçam ambientes alimentares mais saudáveis”, destacou.

A campanha Tirem o Refrigerante de Campo integra um movimento internacional que questiona o patrocínio de empresas de bebidas açucaradas a equipes, atletas e grandes eventos esportivos. Inspirada na retirada da publicidade do tabaco dos campos de futebol décadas atrás, a iniciativa defende que a FIFA não renove, a partir de 2030, seus contratos com fabricantes de refrigerantes.

Ao levar esse debate para um dos cartões-postais mais conhecidos do país justamente no dia de uma partida da Seleção, os mobilizadores do CECIP e da ACT demonstram a força da comunicação feita pela própria juventude. Em vez de discursos moralizantes, apostam na escuta, na troca de experiências e na informação baseada em evidências científicas para influenciar a opinião pública e promover transformações sociais que fortaleçam os direitos de cidadania.

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