O ano de 2025 foi marcado por conexões entre os projetos do CECIP, fortalecimento de redes e aprendizados em temas fundamentais para quem trabalha em defesa da democracia, dos direitos humanos e da justiça social. Uma perspectiva que nos mobilizou ano passado foi a do Meio Ambiente, mais especificamente o colapso climático.
Em ano de COP30 em Belém (PA), o CECP juntou-se à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e à Coalizão pelo Clima no projeto Cuidado Clima!, que articula comunicação, educação e mobilização social para ampliar o debate acerca da emergência climática e seus impactos no cotidiano, difundindo iniciativas coletivas e urgentes, especialmente a partir dos territórios e das populações mais afetadas.
Em parceria com o Canal Saúde (Fiocruz), foram realizados bate-papos com pesquisadores e ativistas ligados à luta ambiental. Estes diálogos farão parte de uma coletânea de 8 vídeos, que junto com uma publicação ilustrada serão utilizados na formação de educadores e estudantes do Estado do Rio de Janeiro. O objetivo é que escolas estaduais e projetos da sociedade civil utilizem esses conteúdos para fins pedagógicos e de mobilização, voltados para a adaptação e a mitigação dos efeitos das mudanças climáticas. A inspiração para este trabalho é o livro Cuidado, Escola!, até hoje uma referência para a formação de educadores, com desenhos de Claudius Ceccon — também autor do Cuidado Clima — que fazem refletir sobre os mecanismos ocultos de discriminação e inculcação ideológica do sistema educativo.
Na retrospectiva de 2025 também se destaca o papel da juventude, em ações dos projetos Jovens Repórteres de Bairro da Rocinha e Rede Não Bata, Eduque. Adolescentes e jovens colocam a mão na mídia durante encontros formativos, produzindo podcasts, fotografias e vídeos sobre temas como paternidades ativas, prevenção às violências, participação social e direitos das mulheres negras. As produções circulam na web, levando as mensagens dos projetos a lugares e públicos variados.
Sobre o tema das paternidades, a parceria com o Instituto Promundo somou muito ao desenvolvimento dessa pauta em nossas atividades. Abrimos diferentes frentes de abordagem, sempre relacionando o assunto com os direitos das crianças, a prevenção da violência, o antirracismo e o fortalecimento de vínculos familiares.
Por falar em crianças, na área da primeira infância os resultados foram históricos. A rede Urban95, projeto da Fundação Van Leer que tem o CECIP como principal parceiro no Brasil, mais do que dobrou de tamanho em 2025, passando de 28 para 70 muncípios apoiados para a promoção do cuidado integral nos primeiros anos de vida. Esses municípios concentram cerca de 2,6 milhões de crianças — aproximadamente 15% da infância brasileira — e 147 mil cuidadores. O impacto se materializou na criação de 365 novos espaços, programas e marcos legais, como a inovadora Bebeteca Antirracista Curumim, em Salvador. Ao longo do ano, 16 mil profissionais foram formados pela Urban95, 600 gestores e técnicos sensibilizados e 37 cidades apoiadas na elaboração ou implementação de seus Planos Municipais pela Primeira Infância (PMPIs).
A promoção da literatura na primeira infância com enfoque territorial é o eixo do Balaio de Livros: Tecendo Histórias na Rocinha. A ação envolveu profissionais das áreas da saúde, assistência social, cultura e educação em oficinas que discutiram como o livro e a literatura infantil podem qualificar o atendimento às famílias e às crianças da Rocinha. Dois eventos literários foram realizados na Biblioteca Parque da Rocinha, atraindo crianças e pessoas de todas as idades. Enquanto os pequenos participaram de rodas de contação de histórias, os adultos dialogaram sobre temas como criação literária, literatura como ferramenta de transformação social, antirracismo, paternidades, identidade comunitária e ancestralidade.
No campo da incidência política, a Rede Nacional Primeira Infância (RNPI) viveu em 2025 um ano de avanços nas políticas e programas para a primeira infância no Brasil, sob a secretaria-executiva do CECIP. Entre os destaques estão a entrega, durante a COP30, de uma carta à ministra Marina Silva com recomendações para uma agenda climática centrada na primeira infância; o avanço do debate sobre a ampliação da licença-paternidade, com a aprovação de projeto de lei na Câmara dos Deputados; e a assinatura do decreto que institui a Política Nacional Integrada para a Primeira Infância (PNIPI), em agosto, Mês da Primeira Infância.
O audiovisual está na origem e permeia toda a trajetória de quatro décadas do CECIP, e a gestão do Cine Henfil, em Maricá, vem sendo mais uma experiência valiosa a enriquecer esse histórico. Já começamos 2025 lotando o cinema com filmes premiados do Oscar como o brasileiro Ainda estou aqui, e a programação ao longo do ano sempre procurou equilibrar sucessos comerciais com preciosidades da produção brasileira mundial. Entre os diversos diversos eventos culturais sediados do Cine Henfil, o II Festival de Cinema e Política reuniu em Maricá cineastas e personalidades como Frei Betto, Silvio Tendler (in memorian), Tetê Moraes e Hildegard Angel, entre outras. Já o Cine Escola, em parceria com a Secretaria de Educação de Maricá, promoveu sessões para mais de 3 mil estudantes, reafirmando o cinema como espaço de educação crítica e cidadania.
Para terminar, quase na reta final de 2025, no dia 18 de dezembro, o CECIP celebrou 39 anos de uma caminhada sólida iniciada com a TV Maxambomba (https://cecip.org.br/tvmaxambomba), em 1986. Às vésperas de completar 40 anos, a organização segue com plena compreensão da missão que vem desempenhando no Brasil e no mundo: lutar pela ampliação da democracia local e global, fortalecendo a cidadania por meio da educação, da comunicação, da arte e das tecnologias, criando de forma colaborativa conhecimentos e modos de fazer que influenciam políticas públicas em favor dos direitos da humanidade e da natureza.
Essa atuação é guiada por um posicionamento claro, como reforça o diretor-executivo Claudius Ceccon: “Trabalhamos incansavelmente para que políticas públicas sejam realizadas, porque isso significa mais direitos e um país mais feliz. Olhamos para o cenário mundial e vemos crises profundas. A extrema-direita avança de uma forma que parece impossível conter, e isso impacta o Brasil. Precisamos conhecer os perigos próximos para superá-los. Não há outro caminho além de agir e acreditar que nossa ação faz a diferença. Precisamos despertar uma consciência coletiva para as urgências globais”, afirma.
Antes de fechar o ano, o CECIP deu início a uma etapa fundamental para a organização: a realização do retrato étnico-racial da equipe, fruto de formação e mentoria em letramento racial oferecidas pela Pacto Organizações Regenerativas. A iniciativa reforça o compromisso da organização com diversidade, equidade e inclusão, contribuindo para o aprimoramento de ações e políticas internas alinhadas a esses valores.
Rumo aos 40 anos de história, o CECIP segue firme na missão de despertar consciências, com uma equipe conectada aos desafios do seu tempo e comprometida com a construção de um futuro mais democrático, justo e sustentável — para as pessoas e para o planeta.
















































