Adolescentes e jovens mobilizados para enfrentar os perigos do uso do tabaco, usando como armas a informação e a comunicação. Em parceria com a ACT Promoção da Saúde, o CECIP Centro de Criação de Imagem Popular desenvolve o projeto “Não é só Fumaça: Juventude & Tabagismo”, que está produzindo podcasts concebidos e protagonizados por jovens e com a participação de especialistas no tema, especialmente preocupante pelo crescimento do consumo desde a chegada do vape, dispositivo eletrônico, cuja venda no Brasil é proibida pela Anvisa.
Os mobilizadores da Rede Não Bata, Eduque (RNBE) e os Jovens Repórteres da Rocinha, ambos projetos do CECIP, se uniram para tratar do tabagismo sob uma perspectiva de autonomia e autocuidado. A iniciativa vem produzindo conteúdos que convidam ao debate crítico sobre o consumo de nicotina em espaços escolares e comunitários, fugindo de abordagens proibicionistas e chamando sua geração para um diálogo franco.
As peças de comunicação (videocasts e cards gráficos) serão veiculadas nos canais da RNBE, dos Jovens Repórteres da Rocinha, do CECIP e da ACT. A estratégia utiliza a comunicação entre pares para desconstruir a percepção de que os vaporizadores seriam inofensivos. Embora o marketing desses produtos frequentemente os apresente como uma alternativa segura, dados científicos indicam riscos severos. Pesquisas do Instituto Nacional de Câncer (INCA) e da Fiocruz apontam que o aerossol dos vapes contém substâncias tóxicas e metais pesados, podendo causar inflamações pulmonares agudas e aumentar em até três vezes a probabilidade de o jovem migrar para o cigarro convencional. Além disso, a alta concentração de nicotina nos dispositivos de quarta geração intensifica a dependência química de forma muito mais acelerada do que o tabaco tradicional.
O primeiro programa “Não é só Fumaça” contou com a participação do dr. Felipe Fortes, médico hebiatra da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), e da dra. Ana Natividade, pesquisadora da Fiocruz, especialista em doenças crônicas não transmissíveis. Durante a conversa com os jovens, os especialistas detalharam como o consumo precoce de nicotina interfere no desenvolvimento do córtex pré-frontal, área do cérebro responsável pelo controle de impulsos e tomada de decisão, que só completa sua maturação por volta dos 25 anos.
Para a educomunicadora Tatiana Martins, coordenadora do projeto, a iniciativa se diferencia ao tratar o jovem como sujeito de direitos. “Em vez de focar apenas na restrição, a parceria entre CECIP e ACT busca fortalecer a rede de apoio comunitária e o engajamento do jovem. Ao buscar abrir diálogo sobre o tema e transformar dados técnicos em uma linguagem acessível e estética amigável, a iniciativa permite que jovens e adolescentes compreendam os determinantes sociais e emocionais que levam ao uso dessas substâncias, promovendo uma cultura de saúde que se sustente e possa reverter a subida recente das estatísticas do uso do tabaco no Brasil”, explica.
Saiba mais sobre o vape
O que é o cigarro eletrônico?
É um dispositivo alimentado por bateria que aquece um líquido e o transforma em vapor para ser inalado. Parece simples, mas o que está dentro dele é motivo de atenção:
Nicotina (a mesma substância viciante do cigarro comum);
Essências flavorizantes (que dão aroma e sabor);
Substâncias tóxicas, como formaldeído e ácido benzoico.
Como ele age?
Os cigarros deste tipo aquecem um líquido contendo nicotina e substâncias tóxicas, gerando vapor para inalação. Seus sabores adocicados e formatos modernos podem causar a ideia de algo “inofensivo”. Mas a verdade é que a concentração de nicotina nesses dispositivos pode ser muito maior do que se imagina.
Principais riscos:
Tosse e dor no peito;
Falta de ar e lesões nos pulmões;
DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica);
Aumento da frequência cardíaca e da pressão arterial;
Inflamações no estômago, intestino e vasos sanguíneos;
Maior risco de AVC e doenças cardíacas.
















































