A um mês das eleições que colocam em jogo o futuro do país, a urgência de se mobilizar pautou o Café CECIP realizado em 3 de setembro em nossa sede, reunindo 16 pessoas – entre amigos, parceiros e pessoas próximas à trajetória da organização.
A partir de uma rodada para saber o que cada um vem fazendo em sua vida e trabalho, os participantes passaram a trocar ideias e dicas objetivas sobre como fortalecer a mobilização cidadã diante do preocupante cenário político e das perspectivas eleitorais.
No grupo havia educadores e ativistas de diferentes áreas que atravessaram os anos da ditadura militar e participaram da reconstrução democrática. A conversa recuperou experiências do passado, como a panfletagem, a organização de atos e a mobilização presencial, e reconheceu que as formas de comunicação e disputa política mudaram radicalmente.
Analisamos os riscos da polarização nas eleições de 2026, especialmente diante da possibilidade de um segundo turno marcado por forte tensão política. O desafio colocado é como atuar antes que o contexto “encurrale” a democracia: ocupar as ruas, fortalecer as redes, conversar com quem pensa diferente e fazer circular informações capazes de romper as chamadas bolhas digitais.
Para Vaniza Pinto, é preciso transformar ideias e posicionamentos em ações concretas no cotidiano: “Precisamos fazer circular ideias que mostram conquistas e direitos que fazem diferença na vida das pessoas, como a recuperação do SUS, a redução do desmatamento, o fim da escala 6×1, o Pé-de-Meia e a criação do Ministério dos Povos Indígenas”. A mobilização precisa estar presente em gestos cotidianos e criativos. Vaniza defendeu a ideia de “sair paramentado”, expressando posições políticas por meio da conversa, do adesivo, da roupa. Junto ao seu marido, Flávio Ceccon, ela produz bordados com mensagens políticas (@bordados.militantes), vendidos no restaurante Raízes do Brasil, em Santa Teresa. A proposta é ampliar as formas de expressão política e mostrar que a defesa da democracia também pode estar presente em espaços culturais, encontros, objetos e conversas informais.






Da panfletagem às redes
A geração que aprendeu a mobilizar as ruas hoje precisa disputar narrativas em ambientes digitais nos quais velocidade, emoção e engajamento têm enorme peso – enquanto mantém os princípios éticos que norteiam os movimentos sociais, em confronto com mentiras impulsionadas e com o desequilíbrio de forças imposto pelos algoritmos.
A experiência acumulada, porém, permanece como ferramenta fundamental: escutar, dialogar, organizar e mobilizar continuam sendo verbos essenciais para quem é verdadeiramente democrata. “A democracia não acontece somente na urna. Precisamos ocupar os espaços públicos, participar das manifestações, caminhar, conversar e exercer uma cidadania ativa”, defendeu Maria América, integrante do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente do Rio de Janeiro (CMDCA-Rio).
Cândido Grzybowski, membro da Assembleia do CECIP e um dos fundadores do Fórum Social Mundial, observou que o autoritarismo está presente e disputa hegemonia, constituindo uma ameaça permanente à democracia: “Hoje estamos diante de uma democracia não de todo hegemônica. Alguns partidos de centro adotam propostas autoritárias, como ocorreu no golpe do impeachment da Dilma Rousseff e está presente agora, tentando destruir ou encurralar a democracia”.
Nesse contexto, o CECIP decidiu tomar a iniciativa de organizar o “Mutirão Eleições”, mobilização digital reunindo jovens que passaram pela Oi Kabum! Escola de Arte e Tecnologia (2009-2022) e os atuais Jovens Repórteres da Rocinha e mobilizadores da Rede Não Bata Eduque (RNBE), entre outros grupos interessados em atuar em defesa da democracia.
A proposta integra um movimento mais amplo de ativismo democrático, capitaneado também pela ABONG: mobilizar a sociedade civil para eleger não apenas um presidente comprometido com a democracia, mas um #CongressoAmigodoPovo, capaz de garantir e ampliar conquistas sociais. A defesa da diversidade, da soberania e do cuidado e proteção do meio ambiente estão entre as pautas da mobilização.
Entre as estratégias discutidas no Café CECIP estão:
1 – Curtir, divulgar e, quando possível, participar de eventos e encontros do campo democrático.
2 – Investir em conversas de rua, perguntando e ouvindo com empatia queixas e argumentos, para entender as preocupações e defender o voto consciente e bem informado.
3 – Produzir e divulgar “colas” artesanais com informações sobre candidaturas e pautas consideradas importantes.
4 – Seguir, curtir, comentar e compartilhar conteúdos produzidos por pessoas e organizações do campo democrático.
5 – Criar conteúdos próprios, pessoais e espontâneos, para circular nas redes.
6 – Evitar interações com conteúdos de ódio, nem mesmo para criticá-los, pois qualquer interação amplia o seu alcance.
7 – Procurar conversar especialmente com pessoas com mais de 70 anos, reforçando a importância do voto e, quando necessário, ajudando para que possam comparecer às urnas.
Ao final do encontro, ficou a percepção de que a sociedade civil está atenta, mobilizada e disposta a fazer sua parte, tanto nas ruas quanto nas redes. Diante dos desafios atuais, defender a democracia exige presença, criatividade, diálogo e disposição para agir.
E, para o CECIP, essa mobilização não termina nas eleições. A luta em defesa da democracia exigirá esforço permanente e articulado, independentemente dos resultados de outubro.
Minuto Democracia
Foi dada a largada para a campanha “Minuto Democracia”, fruto de parceria do CECIP com a rádio Música Plugada Brasileira (107,5 FM). Organizações, movimentos e coletivos estão convidados a participar: mande seu recado de até 1’30 sobre a importância do voto consciente e bem informado em sua área de atuação!

















































